sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Longo é o tempo de Maria Virgínia Monteiro


No dia  4 de Novembro de 2011 pelas 18,00 horas a Biblioteca Publica Municipal  procedeu à quarta apresentação do livro Longo é o Tempo de Maria Virgínia Monteiro, titulo editado pela Singular Plural e  patrocinado  pelo Município de Gaia e  empresa Gaianima, E.E.M
Plateia agradável com  muitos amigos de longa data e outros que recentemente descobriram a sua poesia como Helena  Grilo poeta que se aventura neste mundo de emoções desiguais, e o  jovem Tiago descoberto pelas professoras Fernanda Santos  e Ângela Sobral da Escola Secundária Almeida Garrett.
A autora estava emocionadíssima  e  após a abertura da sessão optou por fazer a sua própria a apresentação em jeito de biografia, evidenciando a sua paixão pelas letras desde muito cedo mas que a vida madrasta  só por volta dos quarenta lhe dá  oportunidade de a abraçar quer através da docência, onde deixou gratas recordações aos seus alunos, quer através da escrita poética, do qual este título  é o decimo primeiro livro publicado (para alem de estar presente em várias antologias)  
Contou-nos um episódio peculiar  sobre um dos primeiros livros que leu avidamente cuja capa tinha inscrito somente o nome de Bessa Luis. Este livro descobriu-o no escritório de seu pai, o poeta Manuel  Oliveira Guerra,  a quem perguntou  - “Quem é este homem?”  tendo o pai respondido não ser um homem mas sim uma mulher.
Mais tarde  vem a saber pela própria autora, Agustina Bessa Luis,   que o livro terá sido “uma edição sua a procurar contacto com o publico” .
Maria Virgínia Monteiro leu os poemas Em Setembro, Silencio tempo (1) ,  o poema que tem por epígrafe “(…) casa triste / passa, passa (…)”  de Rosalia de Castro sendo secundada pelos convidados presentes.
A Prof. Isabel Seca depois de agradecer à poetisa o seu valioso contributo no caminhar da poesia em Gaia  como mentora e júri de vários prémios no concelho procedeu à leitura de Caminhos.
O Prof. Francisco Martins (premiado ao longo dos anos no Concurso de Poesia Inter-escolas  de Gaia) procedeu à leitura de Lenda  da princesa  - a olhar –o- mar.
O jovem Tiago procedeu  à leitura  de Grito.
Na qualidade de diretora desta casa de livros tive a oportunidade de ler os primeiros parágrafos  da apresentação do Dr. Antonio Oliveira, doutor em Ciências da Literatura intitulado VIRGÍNIA MONTEIRO, UMA ESTRELA OUTRORA ACENDIDA QUE SE PROCURA NOS SEUS ECOS e de que passo  a citar os dois primeiros parágrafos
                Todas as joaninhas do mundo sentem o mesmo dilema: viver na prisão das paixões ou morrer no ar ignoto da liberdade… 
O livro de Virgínia Monteiro, intitulado «Longo é o tempo», ressoa como uma cantilena de tempo parado à flor do momento, como se o tempo fosse responsável pela nossa corrosão. Mas não é, até porque, como diz Eugénio de Andrade, à medida que o tempo se distancia a infância aquece-nos, e, por isso, procuramos, de novo, esse tempo para nos aquecer, pensando reencontrar-nos nesse tempo. Mas não é verdade. O tempo reencontrado não é o tempo da memória reencontrada. O tempo reencontrado é aquele que se consubstancia a partir das lembranças do passado com o momento da escrita purificada e purificadora.
gentilmente cedido pela Drª  Nassalete, editora da Singular plural  tendo suscitado  a leitura do poema – (Auto-retrato?... ) um meus preferidos assim como a Cantilena 
Aconselho vivamente a leitura deste livro da Virgínia   sub- intitulado - os pequenos poemas da gaveta- que em boa hora saltaram cá para fora  (do antes partida… ) que antevemos ainda longe pois a autora tem na calha ainda muitos títulos para dar à estampa.
Brevemente teremos noticia dessas palavras ainda encerradas em cadernos secretos.

Bem haja Virgínia por esta oportunidade poética.  

Biblioteca Publica Municipal
8.11.2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

Comemorações do Dia Mundial da Poesia – 21 Março 2011


A Biblioteca Pública Municipal de Vila Nova de Gaia está a comemorar o Dia Mundial da Poesia com um evento em simultâneo em mais de 16 Bibliotecas Públicas da Área Metropolitana do Porto, designado por “Estendal Poético Metropolitano”, composto por 48 poemas literalmente estendidos numa corda de roupa.

O poeta Eduardo Roseira e a poetisa Marisa Sousa Silva, fizeram a “Leitura simultânea de Poemas” neste dia, no átrio da Biblioteca de Gaia, onde se encontrava exposto o “Estendal Poético Metropolitano” e convidaram os leitores e a quem se mostrou interessado a participar na iniciativa. Suscitou o entusiasmo de muitos que escolhiam o poema preferido preso no estendal e o lia em alta voz. Esta sessão motivou uma participação activa e alegre em se ouvir ler poesia por quem eventualmente nunca a leu em publico e emocionou os presentes pelas qualidades de uns e outros que estariam escondidas. O dinamismo da acção proporcionou um momento de grande alegria, pois pela poesia exaltamos a nossa língua e literatura.
A Biblioteca Municipal colocou uma réplica do “Estendal Poético” à entrada da porta principal convidando todos os cidadãos de Gaia a levar consigo um poema da sua preferência para mais tarde recordar esta iniciativa e dar a conhecer outras.

A sessão da manha teve a sua abertura com o poema inédito de Fernando Peixoto, poeta gaiense, de seu título RE-PARTINDO, numa justa homenagem, a titulo póstumo.

A Biblioteca Publica de Vila Nova de Gaia escolheu os poetas gaienses e residentes em Gaia, Fernando Peixoto, Fernando Morais e Domingos da Mota com os poemas, respectivamente RE-PARTINDO, A BELEZA… e TELÚRICA VERTIGEM para integrarem o estendal Poético Metropolitano.

Ao longo do dia os cidadãos gaienses que passarem junto à porta da Biblioteca Municipal terão a oportunidade de levar um poema ou conjunto de poemas do Estendal Poético Metropolitano como forma de assinalar este dia tão especial.

À noite, a partir das 21,30h e até que os poetas adormeçam decorrerá A TERTULIA DE POESIA com a participação de Lourdes dos Anjos, Fernando Morais, Leonor Reis Lurdes Martins. A sessão será abrilhantada pelo Grupo de Cavaquinhos do Centro Recreativo de Mafamude.
Convidámos todos quantos se queiram associar a esta tertúlia trazendo um poema para partilhar connosco.









A BELEZA…


Essas cordas, digo, arames
com roupa a secar, fustigada pelo vento
e que vento beijoqueiro…

levanta saias, cuecas
sem temer esse convite
de as ver
abrirem-se ridentes
digo, rir, vento malandro
culpado de amor promíscuo
digo, travesso e matreiro
que levanta, digo, abre,
a doce roupa interior
para mostrar a quem passa
a beleza de um traseiro…


Fernando Morais
In; “Ao Povo do Mundo”
Temas Originais, Coimbra, 2010






TELÚRICA VERTIGEM


Mergulho, subo ao fundo da loucura,
delta negro de lábios abrasados,
onde perco os meus olhos alongados
sobre as ondas felinas de água pura.

desgrenhamos a pele e a espessura
das águas com os dedos demorados:
 o frémito dos corpos adunados
transborda de alegria, transfigura:

ofegantes, à sombra das estrelas,
os poros inebriam, sentinelas
do sangue amotinado, no quentume:

telúrica vertigem desvairada:
expande-se, extasia e cresce e brada
à beira de um vulcão da lava e lume

Domingos da Mota
In: “Bolsa de Valores e outros poemas”,
Temas Originais, Coimbra, 2010

 
 
RE-PARTINDO...

Sei que contigo vão partir
memórias de um tempo partilhado,
dias breves que hoje são passado
e podiam no entanto ser porvir.

Sei que levas na bagagem a lembrança
dos olhos nimbados de tristeza
mas também o brilho da bonança
que alimenta a tua natureza.

Mas se partes, apenas uma parte
vai contigo rasgando o mar e o vento:
que outra parte de ti já se reparte
na minha memória e pensamento.

FERNANDO PEIXOTO
V.N. Gaia
N. - 25 de Julho de 1947
F. - 3 de Outubro de 2008
24 de Agosto de 2008


Ai janelas do passado,
onde às vezes eu espreito,
sufocando de saudades
que me rebentam no peito!
Ai! janelas do presente,
que eu nunca devia abrir,
pois pode a felicidade
querer por elas fugir!...
Ai! janelas do futuro,
abertas de par em par,
para que um sonho descanse
se for aí a passar.
Janelas da minha vida,
fechai-vos devagarinho,
deixai-me cair sorrindo
num sono sossegadinho.

Maria de Lourdes Martins



Eu sei que voltarei! O que não sei
É qual a forma que terei então.
Um verme sobre a terra a mais serei,
nascido do meu próprio coração?
Terei destino ainda mais agreste?
O mundo em que então vegetarei
será somente a sombra de um cipreste?
Não passarei dos prados rasteirinhos
ou em frondoso tronco abrigarei
os ninhos dos alegres estorninhos!
Eu sei que voltarei! O que não sei
- e isso constitui o meu tormento –
é se naquilo que for recordarei
a angústia do meu último momento.

Maria de Lourdes Martins


EU

Na minha cabeça,
vive uma jovem irreverente
com um punhado de sonhos por cumprir.
Vive um projeto de gente
e uma sementeira de felicidade.
No meu regaço,
vive uma avó carinhosa
 com um braçado de netos para amar.
Vive uma tarde preguiçosa
dum inverno proibido de entrar.
Dentro deste corpo que anoitece e envelhece
Há vida que o tempo comanda e amadurece
Há a alma de dezembro em mãos enregeladas
E a poesia de maio em rosas coloridas e perfumadas

Lourdes dos Anjos



TRÊS OU QUATRO SÍLABAS

POESIA é uma mágica raíz de vida
Cada vida é sempre um POEMA
Que fala deste, daquele ou de outro tema.
A poesia é só um ditado de alma
Ou talvez o grito das nossas emoções.
São três ou quatro sílabas sem rosto
Que falam dum segredo,
Dum amor sem medo,
Dum desencontro anunciado,
Da partilha sem retorno,
Da saudade silenciada,
Da rebeldia amordaçada.
Cada verso é só a primeira nota duma melodia
Que a voz, sem coragem, amordaçou.
É um cântico adormecido ao meio dia.
É um papel virgem que a caneta desflorou.
Com três sílabas de POEMA
Ou quatro de POESIA
Se faz da saudade um tema
Para um hino à alegria

Lourdes dos Anjos

Tem tanto de belo a vida
Que é pena a gente morrer,
Só por mal diz mal da vida,
Quem a não sabe viver.

Castro Reis


Poesia:
É vida que eu respiro,
Que servirei com amor
Até ao último suspiro.

Castro Reis


Amor:
É sol, é luz, é luar,
É sonho,
Neste Outono ao fim da tarde,
É maré cheia em verde-mar,
É o poema que componho,
À sombra do teu olhar,
É chama que ainda arde
Numa explosão de alegria
É o amor infinito à Poesia!

Maria Leonor Reis


Quando chegares
Ao cimo da montanha,
Os pássaros,
Vão entoar a nossa canção
E uma brisa leve e fresca,
Beijará as nossa faces,
Que sedentas de infinito
 Voarão para além das estrelas.

Maria Leonor Reis



MAIS  ADIANTE …
Veremos mais adiante
numa paragem qualquer do percurso da luz
à dimensão do nosso pensamento
Veremos mais além
pelo mesmo caminho visionário recheado de meteoros
e de loucas intenções
subir o pano da última peça de onde já não se regressa
a burilar o tempo de imprevistos
desiludido do granito e do xisto
arquitectura de espigueiros
onde se arquivam os trigos e centeios
que é onde Portugal ficou Galiza
Veremos se mais adiante
haverá ainda algo parecido
com a nossa fala minhota
e se o cavaleiro andante
será Quixote ou Sancho Pança

Fernando Morais


BRILHE

Falo sozinho o namorar da brisa
falo comigo e responde-me o eco
todos nós sabemos que as palavras
não querem ser  reféns  da poesia
Mas somos nós que as esvoaçamos
pelo fio do discurso e da harmonia
para que a beleza se afirme e brilhe
no poema que todos escrevemos
É mais fácil falar com uma flor
do que entender o que nos diz o vento
enquanto o dia está no estertor
do seu próprio acabamento

Fernando Morais


Deixa  sempre uma porta aberta
para dialogar as tuas opiniões
nunca deixes o teu conhecimento
valer mais que as outras opções

Fernando Morais


PAISAGEM
e das estradas que há no sol
e das margaridas em flor que há no monte
e das rosas silvestres onde a abelha pousa
e das nascentes puras que descem do luar
e das cerejas que Maio nos oferta
e das cores novas do festival da terra
e das sementes que caem para o chão
a fermentar
e das libélulas em voos panorâmicos
e das fabricantes de mel que pousam atrevidas
sobre tudo que cheire e se misture …
assim o regato compõe música sinfónica
ao descer os degraus de terra e pedras
para que as pétalas possam viajar.
E do coração magnânimo dos poetas
e do seu lápis se soltem as canções
que lá no alto azul até os aviões
parecem de papel
e de tudo isto encho o meu louco amor
que na sua torre de Babel
treme de prazer …
    
Fernando Morais








MÚLTIMÉDIA


video

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dia Mundial da Poesia 2010

Flyer

sábado, 20 de junho de 2009

Poemas de João Habitualmente

Agradecemos

Agradecemos
em júbilo pela oportunidade que nos deram,
estamos reconhecidos aos donos da vida.
e em romaria lhes beijaremos os anéis
nos altares onde estiverem.
nós, os que adoramos viver,
sentimo-nos na obrigação de agradecer.

aos patrocinadores, colaboradores,
a todos quantos nos emprestaram o riso e o ranho,
aos que nos entusiasmaram encorajaram enrabaram e
aos que ainda estão para vir

agradecemos,
a colaboração
ao haxixe de marrocos
à febre de malta
ao vinho da casa
à heroína

que casa com o cowboy
lá para o fim do filme

agradecemos
ao fim do filme
por ter acabado
às sombras da tarde
por fazerem sombra à tarde
aos caminhos d'aldeia
por cheirarem a merda de vaca
ao senhor padre por ser virgem
nem ele sabe a importância que isso tem
nós também não

agradecemos
ao white horse
royal label
aos pudins flan
os maravilhosos momentos proporcionados

à nossa namorada
as incontáveis fodas
e as que demos sem contar

à mulher-a-dias
pela religiosidade com que nos lavou as cuecas
pela afeição com que nos viu crescer
pela idiotice de nunca querer ter sido mais nada

agradecemos
ao presidente da câmara
ter perdido as autárquicas
aos partidos no poder
e aos que ainda nos hão-de vir foder
às sogras tios e primos
a paciência de serem há tantos anos da família

agradecemos
ao sol da praia aos pardais ao ar lavado
e a todos os outros heróis mortos em combate
e imortalizados amortalhados em grandiosas estátuas
muros de betão

agradecemos
aos morcões e aos estúpidos
trissómicos e outros produtos das aberrações cromossómicas
a beleza com que são horríveis
é aí que vemos a infelicidade de que escapámos
é aí que temos a noção do tamanho bonito de existirmos assim

agradecemos
à dor aos sofrimentos inúmeros com que bordamos os nossos dias
porque nosso será o reino dos céus
aos ladrões e às putas
aos corcundas aos paralíticos
pela sensação de imprevisto quando caminhamos na rua
por exibirem conceitos tão próprios de vida

e juramos
passar a cumprimentar toda a gente
estar infinitamente gratos
infinitamente gatos
piolhos porcos morcegos
infinitamente coisos despidos ao frio
vestidos ao sol
saias casacos camisas gabardines de vénus
tanta roupa tanta sobre chãos
corpos galácticos

juramos
estar infinitamente gratos
a todos os casais felizes
uniões duradouras bodas de prata
por demonstrarem o conceito da felicidade emparedada
o valor da paciência
o infinito do esforço


agradecemos
à arte à ciência à história à sociologia
à política à religião
darem emprego a tanta gente

agradecemos
à tecnologia aos motores
pelo mesmo motivo
às fábricas aos computadores
idem
e a tudo quanto faça barulho cheire mal
foda a vegetação os rios os sóis a aragem
porque inevitavelmente somos a favor de uma poluição avançada,
não dessa como nos países de terceiro mundo que é feita
de gente magrinha
feia de ver.

Defendemos uma verdadeira poluição
pesada d'acordo com os padrões europeus

agradecemos
à tropa,
verdadeira escola d'homens
e à escola
tropa de meninos

agradecemos
a cristo marx reich
pela inutilidade prática das suas demonstrações
e agradecemos a todos quantos
fizerem demonstrações cheias de inutilidade prática
terem tido tanto êxito

não nos esqueceremos igualmente dos nossos teóricos
já lhes basta a infelicidade de serem teóricos
de se esquecerem de comer
tudo a bem dos teoremas teóricos
explanações metafísicas
conceitos epistemológicos

não podemos claro deixar de
sentir ternura pelos nosso teóricos

agradecemos
às entidades divinas
a força que nos dão
a garra o querer e o tesão

e agora não agradecemos a mais ninguém
porque vamos comer um bom bife
talvez devêssemos agradecer
à defunta vaca


porque sempre em tudo o que façamos
sem dúvida contraímos
obrigação de comer um bom bife
e foder uma garrafa de verde
o que é um acto poético
de incomensurável estética.

In Antologia poética - Carnaval poético



APOCALIPSE

recatai-vos velhas
fugi para a igreja
abanai o sino
fechai bem no quarto
o vosso netinho
o vosso menino
para que não veja
para que não saiba
para que não seja
assim como esses
que são cabeludos
que só têm barba
dizem palavrões
e dão encontrões
nas ruas da baixa
aos senhores sisudos

são uns parvalhões
recatai-vos velhas
trazei um polícia
uma esquadra inteira
ai tanta sujeira
imaginem só
andam-se a drogar
até metem dó
a cambalear

isto está perdido
ó velhas fugi
ide para ali
que aqui está fodido

recatai-vos velhas
tapai as orelhas
guardai o menino
fechai-o no quarto
metei-o na cama
para que não veja
para que não ouça
para que não seja
para que não tenha
para que não venha
perdeu-se o respeito
já não há moral

ó velhas fugi
olhem para ali
beijam-se na rua
fodem ao luar
antes de casar
já nem vão à tropa

só querem dinheiro
todo para estourar
já nem vão às putas
mostrar que são homens

ó senhor prior
já nem vão à missa
não têm missal
isto é um horror
vamos mesmo mal

fechai os olhos
não vejais o netinho
guardai-o no fundo
de um quarto comprido
para que não veja
para que não tenha
para que não seja
para que não venha
recatai-vos velhas
que já nem na praia
se consegue estar
ó virgem maria
ó senhor do céu
essas estrangeiras
deu-lhes para andar
de mamas ao léu
a tremelicar

ó velhas cuidado
assim é que não
inda a procissão
só vai no adro
não deixes que a merda
se ponha a medrar
gritai pelas ruas
falai prós jornais
morra a juventude
fine a desvergonha

chamemos quem ponha
estes animais
c’o a corda rente
ó velhas chamai
o presidente


libertai-vos velhas
vinde para o sol
dançar rock n’ rolI
ide até a lua
c’uma ganza fixe
esticai o dedo
apanhai boleia
fumai muito haxixe
ponde a casa cheia
dos nossos poetas
dos nosso malucos
andai de autocarro
a fugir ao pica

libertai-vos velhas
não pagueis a taxa
acabai com a graxa
aos vossos patrões
cagai no juízo
nas boas maneiras
cagai nas peneiras

ó velhas então?
vinde para aqui
para a confusão
ó velhas vesti
uma mini-saia

deixai que vos caia
esse ar tão mortiço
essa cara chocha
mostrai a coxa
gritai uma asneira
uma malandrice
pelos microfones
das rádios-pirata
ouvi os Police
os RoIling Stones
não vos afogueis
em mais água benta
bebei um bagaço
jogai a dinheiro
ide ao cangalheiro
adiai a morte
ide pelo mundo
por estradas à sorte
vinde para aqui
para o reviralho
e se não quiserdes
ide para o caralho!



AS RAPARIGAS DA ALDEIA

Tenho sonhado às vezes
com as coradas raparigas da aldeia
trazem um leve cheiro à palha
e preenchem-me a necessidade
de mamas abundantes.
Convidam-me
mesmo quando olham para o chão

Tenho a impressão
de que fodem como animais antigos:
na lentidão de enormes carapaças
num fragor de pedras
cravando espinhos ao rebolar

Preferem a luz turva
do fim do dia
retornam ao povoado discretas
na companhia dos bois
e um botão a menos na blusa

Gosto das raparigas da aldeia.
Aos domingos de manhã
varrem o lar e dão lustro às panelas
de tarde andam em ranchos
dão gritinhos, fogem para o mato

Quem me dera pôr-me nelas!

In “Animais Antigos”


DOMINGO

estes vagos milhares de namorados
que marginam as bordas dos domingos

de mãos dadas e dissipam perfumes
densos nos contornos da baixa portuense

ou serão pipocas derramadas nos passeios?

lá vão elas a
profusão dos líquidos aromas chanel
eau violette xailes
roxos esburacados de rendas batons
vivos tanta
cor

tanta cor para destinos black & white

sabes como me fizeste noite?

e como me obrigas
a reaprender devagar o comprimento dos dias?

este grande deserto e os
rios apagados

acender a chama recomeçar a luz

tarefa meticulosa

Há pedras habitadas Pássaros que não migram
só para não sofrerem a partida

esperam então um ano a fio
pelo regresso dos companheiros



ESPECIARIAS
(homenagem à parte sórdida do cancioneiro medieval)

Comi-a Nela tarada
Comi-a com noz moscada
Comi-a a tarada da Nela
Comi-a toda com canela
Com gengibre e açafrão
Comi-a de pé e no chão
Comi a Nela ciumenta
Comi-a a mesmo com pimenta
Das cuecas aos colarinhos
Empurrei-a com cominhos
Veio-se a Nela vezes mil
Comi-a sempre com caril
Com piri-piri e molho
Comi-a toda até ao olho
Comi a Nela tarada
Comi-a com malagueta
E agora não como mais nada
Vou tocar uma punheta



KODAK

tão sentados que
estamos
aqui na borda da lua

anda jantar comigo
pomos
a vela na mesa

tão bonitos que
ficamos
ri-te p’rá fotografia

e tão inúteis que somos


NEM TANTO AO MAR

Amo o mar
porque não tem fim

e os vagabundos que não tem pilim

Mas pelo meio das formas
e das aparências sem fundo
parecendo que amo o mundo
amo-me sobretudo a mim

Talvez venha a querer ao mar
ou vagamente a um vagabundo

talvez os ame no fundo

Mas no rodar infindo
daquilo que não tem fim
quero-me principalmente a mim

Ao resto das formas
e das aparências do mundo
amo só assim-assim

In Os Animais Antigos


PIANCHA

Já estou com o semblante todo fodido
e ainda só vou no nono bagaço

ia jurar que não estou no trapézio

e no entanto o caminho enviezo-o
isto oscila tanto
fico tonto e tento

tento o quê? Se até já estou a
perder a consciência política


Ouço-me por dentro como
quando um cavalo trinca aveia palpita-me que
já troco palavras por um apartamento no Estoril

os sóbrios dizem:
beber é um acto vazio
não sabem o que dizem e acertam profundamente

mas não tem mal
volta-se a encher o copo



ANTES ASSIM

Só preciso da luz
e das manhãs claras
que se fodam as sónias
que se fodam as saras

Só preciso do vento
assobia e dobra as canas
que se fodam as luzias
que se fodam as anãs

Pois se é às manhãs
que entrego as manias
mas se é às canas
que conto as desditas
sap gato anãs
ide embora ó ritas

E nem mesmo os pedros
se venham pôr nisto
não me venham cá padres
não me venha o ministro

Só preciso dum cuco
na serra da estrela
chegam-me os sobreiros
bastam-me as bolotas
que se fodam os carros
que se fodam as motas

Pois se às cotovias
entrego as desditas
e se aos riachos
confio as manias
pra que quero pedros?
sap gato primas
ide embora ó tias



AQUECIMENTO GLOBAL

Vinde a mim
Prados do fim do mundo

Quanto tempo terei ainda para vos pastar?

Era verde
A erva que agora vos amarelece
Mirrais sob o vento sulfúrico
Andam-vos por cima as aves desorientadas
Nem sois figura nem fundo

Vinde a mim
Bosques em agonia

Quanto tempo sereis ainda a minha clorofila?

morreis agora mais rápido que as aldeias
Sepultando na lama insectos teratológicos

Olha, filho, o prado que seca
Olha o bosque que amarelece

Desiste, pois, de colher tangerinas
E cinge-te aos pedregosos leitos falecidos

Não temas: são as novas cores do universo
Prepara-te para a grande festa
E vem brindar ao aquecimento global
Às turbulências, aos ciclones
ao efeito-estufa em espiral

São belas, as novas vestes da princesa
Não vês como ainda respiro?
Plano nas cinzas de tudo quanto acontece
sou um transgénico em passeio no pinhal
venha o ronco telúrico ebulir o planeta
seque prados, arda bosques
ponha estios nos Invernos
ponha pólos no equador
que a mim
Nem me aquece nem me arrefece

(Inédito) In: www.rtp.pt



EM TODA A CASA

pelas paredes cheira ainda à tua pele cutânea

mas desde que te foste estar aqui é oco,
cansativo, uma espera. E às vezes (como se
tivéssemos chorado) respirar custa.


sobretudo nada apetece.
sair para a rua? Ir então em frente a repetir
os passos, passear nas avenidas a espaçar as
horas – dispersar a espera?


tudo cinzento. Choverá?
aqui é que não fico. No quarto onde dormimos
o espaço sobra, e cada coisa já morreu ou está a mais.
em toda a casa uma violência subterrânea:
a tua ausência




NA EXPOSIÇÃO

tanta luz naquela sala

tantos senhores jeitosos

entraria?

olharia a olaria
as estátuas coleantes
de expressões alheadas

e óleos tão vibrantes

mudar-se-ia de sala
(pr’aquela que tem um piano)
na chiadeira das botas
contra o soalho encerado

que é aquilo na parede?
uma estátua
ou o extintor?

tão feio tudo

onde ficaria a porta
que conduz ao exterior?



O NOÉ TINHA UM GINÁSIO

Olha um leão!
E uma barata a fazer a esparregata!
Aquela ali é a Alexandra?
Vejo um besouro a nadar
e um canário no espaldar

e até a salamandra nos exercícios de argolas

o Almeida nos halteres
com um belo fato adidas
uma mosca no decatlo
o quê? Vou jogar pelas mulheres?
Coitadinhas! Estão perdidas!
O besouro vem à tona
tenta nadar mariposa
o tatu na maratona
e a raposa, e a raposa?
Um pugilista suado
leva socos vai ao estrado
o remador afundou-se
aquela ali é a Alexandra?
O Almeida está cansado
quer desistir da carreira
esta perna é da barata?
partiu-a na esparregata.

A avestruz que é fundista
corre corre faz batota
a águia e a galinha
na luta greco-romana
a Quicas e a Lili
a foder na minha cama
onde se meteu a Alexandra?
Andará essa malandra nos exercícios das argolas?

Olha um leão!
Canção Alentejana
A menina estava à janela
com o seu cabelo ao vento

Pus-me nela
mas nem mesmo da vidraça
da minha própria janela
lhe podia ver a graça espelhada no relento

E nem mesmo a vi a ela

Não me vou daqui embora
(nem que chovam canivetes)
sem levar uma prenda tua
sem levar a roupa dela

Pode ser que seja bela
e enquanto estiver nua
hei-de à noite pôr-me nela
na minha pobre janela
com o meu cabelo à lua.
In Os Animais Antigos

Fogo
De que valem o certo e o regular?
E o chão liso, um tapete pra andar?
Não vou a passo - antes quero correr

És o fósforo e a chama
se quisesse fugia - prefiro arder

In Os Animais Antigos


Vitamina c

Adoro mangalaranja da Nicarômbia e jabuticaba da Papaia--Nova Guiné.
E adoro café do Brasil e perabacate de caril.
É isto a minha vida no Verão: misturo a fruta e como que nem um filho-da--puta.
E são tantos os lugares que já me baralho - há fruta por todo o lado até ao caralho.

In Notícias do pensamento desconexo


DRÁCULA APAIXONADO

quero o teu
colar
o teu pescoço

o teu arfar

(e quero-te, claro,
a veia jugular)

(2 poemas dedicados
com carinho aos poetas
da Nova Renascença
e às suas esposas)


BIONOXITREMOS

Donde brota o dês
encanto
das aves esbu
galhadas?

e em que canto o
recanto dos pássaros?

em que águas afogam o
pio?



HINO TÁCTICO VAZIO

do ovo
a clara e a algema

do poema
o estratagema


O HÍMEN

E a altivez agressiva desta pila
que rejubila e sobe para o céu?
Enrijece está tão hirta direi tesa?
e aponta para o hímen esse véu.



O INCÊNDIO
(mote e glosa sobre a beleza do fogo)

mote: fogo, fogo, fogo

glosa: que belo que é o fogo
fogo, fogo, foge do
fogo
afago a chama do
fogo
e afogueio-me na brasa
morna em breve pele queimada

aparecem já os bombeiros
e diz o comandante exibindo as inúmeras
queimaduras do terceiro
grau
que enfeitam a sua bravura:

a mim não há fogo que me foda
venha de lá essa labareda

ainda agora havia fogo e já me
afogo
na água que matou o fogo


CIPRESTE

Havia um cipreste

Vi que caminhaste
e te despiste

(a roupa na sombra da
àrvore
dependurada do nada)

O leito agreste
e mergulhaste

nadaste
depois saíste


SANTA CATARINA

então os americanos
fizeram mais uma experiência
nuclear a paisagem afundou-se em volta num
segundo?

e nunca mais ninguém ali viu o
risco em fogo do sol pôr agora o
fogo é outro

tudo enquanto
nós passeávamos em santa catarina depois dum
filme do marco ferreri
vê lá



OS SONS PARADOS

Há aqui uma lentidão dos sons parados,
Um mar estático esta tarde. Cinzas resolutos
policiam
todos os repousos ou recantos

e já estou cheio de ler o mesmo livro

espero com emoção o incêndio repleto da cidade


EM TODA A CASA

pelas paredes cheira ainda à tua pele cutânea.

mas desde que te foste estar aqui é oco,
cansativo, uma espera. E às vezes (como se
tivéssemos chorado) respirar custa.

sobretudo nada apetece.
sair para a rua? Ir então em frente a repetir
os passos, passear nas avenidas a espaçar as
horas – dispersar a espera?

tudo cinzento. Choverá?
aqui é que não fico. No quarto onde dormimos
o espaço sobra, e cada coisa já morreu ou está
a mais.

em toda a casa uma violência subterrânea:
a tua ausência



DEIXÊMO-LAS PASSAR AS VACAS

As vacas ao irem para o bebedouro
deslocam-se em linha recta até depararem
efectivamente com o bebedouro

Antes disso
ninguém as detém

senão exactamente antes daquilo que lá foram fazer

e se não beberem
aguardarão com paciência divina
o regresso de outros pardais.

É que é pelo fim da tarde que vêm os estorninhos
toutinegras e pardais
e é através deste processo que as vacas se inteiram

da necessidade de se deslocarem
até depararem efectivamente com o bebedouro
antes disso, já sabemos, ninguém as detém.

O que me agrada nas vacas
é o pouco tempo que perdem a pensar nos homens
é isso que fundamentalmente me agrada nas vacas,
agrada-me logo a seguir à linha recta
que traçam quando as toutinegras decidem que
é hora de matar a sede.

Ninguém as detém,
nem aos pardais e de resto se assim não fosse
não haveria orquestra
para compor o fim de tarde

nem nada.

Antes mesmo das sete badaladas
e tudo
antes das velhas de xaile. Dirigem-se à igreja
efectuando um esse no sentido de evitarem
o galope denso de linha recta dos animais
impelidos pelo recital de fim de tarde dos estorninhos

e é então vê-los numa linha a direito,
simples, insistente, direccional
numa caminhada sem a diagonal ou atalho

até depararem efectivamente com a nitidez no bebedouro.


O QUE ACONTECE NO INVERNO NA ALDEIA QUANDO PASSAM OS CÃES DO GADO

Aqui não há frio nem prados
nem o frio dos prados
vê-se simplesmente o buraco do arvoredo
por entre as falhas da lua
e os cães do gado afastam-se lentamente

dirigindo-se também eles ao sítio
onde uma luz crua ilumina duma vez o inverno.

É assim o campo à noite
ninguém sabe se é campo ninguém sabe
se é noite

Porque nada se faz com a facilidade que pensamos
e as coisas aqui demoram como a pedra
e o sono dos lacraus.

Vê-se, isso sim, simplesmente o buraco
do arvoredo por entre as falhas da lua
e a luz primeira que veio por estes sítios

Se os cães do gado, mansos e sabendo
perfeitamente da pouca utilidade de dias assim tão compridos
na eminência dos lobos,
se os cães do gado, dizia, assim se afastam

não é porque haja direcção
mas porque conhecem perfeitamente o movimento de rotação da terra

Afastam-se lentamente
pisando as folhas do inverno anterior

e há falhas no arvoredo, prova inequívoca de que
o céu existe.

Não há perdizes por aqui, já
morreram da espera. Impossibilitadas de cair
de um tiro

despenharam-se elas mesmas conforme sabiam
indo cair exactamente
aos pés das diversas falhas na folhagem.

Essa, a que deixa por entre si vir a lua.

É assim o inverno aqui no lugar onde
os cães se afastam por profissão

Não se sabe quando poderão parar
já que seguem através de uma marcha exterior ao que são
avançam lentamente
tendo talvez na ideia a ideia de um rebanho por ali.

E arrastam uma enorme cabeça de boi manso,
arrastam a cor e o cheiro e pisam as folhas
do inverno anterior.

Ainda persistirão,
parecem saber que têm de sair dali
embora, deslocando-se, não saiam do mesmo lugar.

É esse o abismo do tempo na aldeia

João Habitualmente

João Habitualmente é o pseudónimo literário de José Luís Fernandes. Nasceu e reside em Mafamude , no concelho de Vila Nova de Gaia.


Como poeta, começa bem cedo na sua infância o gosto pela escrita, com redacções muito elogiadas, abordando temas como o porco, as vindimas e a primavera.

A partir de 1984 integra a coordenação da revista Pé-de-Cabra, publicando aí os seus escritos de juventude, oscilando entre o confessional e o manifesto iconoclasta.

Nos anos 90 participa regularmente no espaço de poesia do Pinguim Café, produzindo texto poético ao ritmo das leituras semanais em ambiente de cave. Em 1995 sai o primeiro livro de poesia, pela editora Pé-de-Cabra.

No fim dos anos 90 inicia colaborações várias, em formato de crónica, na imprensa e publicou em 1999 O sítio das drogas, e em 2001, Pelo Rio Abaixo - crónica duma cidade insegura, ambos pela Editorial Noticias. Em 2003 publica Noticias do Pensamento Desconexo, com chancela das Edições Mortas. Em 2006 publica pela editora Objecto Cardíaco, Os Animais Antigos.

É professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação do Porto (FCCEP), investigador do Centro de Ciências de Comportamento Desviante daquela Faculdade e do Observatório Permanente de Segurança do Porto, para nos desvendar mais acerca das questões ligadas às drogas - duras e leves, lícitas e ilícitas - do seu papel nas sociedades humanas e das diferentes estratégias mundiais utilizadas para lidar com elas.

A sua tese de mestrado - "Sub-culturas juvenis em torno das drogas leves" - realizada a partir de um trabalho de terreno feito na zona histórica do Porto, e a de doutoramento - "Caracterização dos chamados "mundos da droga" em zonas urbanas periferizadas" -são dois exemplos que ilustram o seu conhecimento prático deste tema e lhe permitem assumir a construção de um discurso argumentativo que se reflecte, nomeadamente, na publicação de trabalhos de investigação em diversas publicações da área da antropologia, sociologia e psicologia. Actualmente, desenvolve um trabalho de investigação intitulado "Populações ocultas", encomendado pelo Instituto Português da Droga e da Toxicodependência, sobre o uso de drogas em estratos de difícil visibilidade social, seja elas franjas marginais e ou elites profissionais e culturais.

HABITUALMENTE, João – Os Animais Antigos. Vila do Conde: Objecto Cardíaco, 2006.


COSTA, Ricardo Jorge - José Luís Fernandes leva-nos, rio abaixo, ao sítio das drogas. Um olhar sobre outros mundos [entrevista].A Página da Educação, Ano 10, n.º 106(Out. 2001) p. 7. Disponivel em : http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=1541 [17/06/2009; 16:53 h]

Galeria de Fotografias da 4ª Tertúlia de Poesia Primavera


Sr. Fernando Morais, o poeta homenageado João Habitualmente e o Dr. Raul Simões Pinto que fez a apresentação



Dr. Raul Simões Pinto no uso da palavra